Nunca sabemos o valor de um objeto, ou de uma roupa favorita, sapato, da nossa própria cama ou quarto até que não o encontremos ou que passemos algum tempo longe daquele pequeno pedaço de nós mesmos.
Assim acontece com as pessoas: seu valor triplica, quadruplica ou qualquer outro plica quando elas nos deixam pelo motivo que seja. A partida é sempre triste, chorosa ou pesarosa.
Há sempre um último adeus, uma última lágrima, um último olhar que vai deixar saudades.
E naquele último instante a mistura de emoções sobe a garganta, o soluço fica preso e como se estivesse prestes a sufocar quem o prende se solta em um ruído estranho, mais alto que o que se esperava, mais emotivo também.
E então, tudo termina. O vento frio traz as folhas remanescentes de um outono capaz de traduzir fielmente aquela cena. Seco. Apático. Inerte. Mortalmente silencioso. Inegavelmente sem vida.
É o fim de um ciclo que se repete a cada nascimento.
quinta-feira, 19 de abril de 2007
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1 comentários:
Adorei seu texto
tão gostoso de se ler,
fala de um sentimento banal
mas com rica descrição
e fiel também.
"E naquele último instante a mistura de emoções sobe a garganta, o soluço fica preso e como se estivesse prestes a sufocar quem o prende..."
Fora aquela lágrima ridícula
e reprimida que sempre vai
cair nas horas mais impróprias.
=/
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