quinta-feira, 19 de abril de 2007

Perdas

Nunca sabemos o valor de um objeto, ou de uma roupa favorita, sapato, da nossa própria cama ou quarto até que não o encontremos ou que passemos algum tempo longe daquele pequeno pedaço de nós mesmos.

Assim acontece com as pessoas: seu valor triplica, quadruplica ou qualquer outro plica quando elas nos deixam pelo motivo que seja. A partida é sempre triste, chorosa ou pesarosa.
Há sempre um último adeus, uma última lágrima, um último olhar que vai deixar saudades.

E naquele último instante a mistura de emoções sobe a garganta, o soluço fica preso e como se estivesse prestes a sufocar quem o prende se solta em um ruído estranho, mais alto que o que se esperava, mais emotivo também.

E então, tudo termina. O vento frio traz as folhas remanescentes de um outono capaz de traduzir fielmente aquela cena. Seco. Apático. Inerte. Mortalmente silencioso. Inegavelmente sem vida.
É o fim de um ciclo que se repete a cada nascimento.

1 comentários:

Adrielly Soares disse...

Adorei seu texto
tão gostoso de se ler,
fala de um sentimento banal
mas com rica descrição
e fiel também.

"E naquele último instante a mistura de emoções sobe a garganta, o soluço fica preso e como se estivesse prestes a sufocar quem o prende..."

Fora aquela lágrima ridícula
e reprimida que sempre vai
cair nas horas mais impróprias.
=/