quinta-feira, 15 de março de 2007

Sobre a não existência...

Certa vez encontrei um filósofo que em sua tese ousou dizer que o amor não existe.
A época pensei "que pessoa triste é essa, que por mais estudada que seja diz tal absurdo?". Não acreditei no que dizia e ignorei as palavras que proferiu a respeito.

Para ele o único amor verdadeiro é o maternal, de mãe para cria e só. Não há reciprocidade no sentimento. E ele só existe nessa circunstância pois a mãe vê em seu filho uma projeção de si própria. E é só a si que ama verdadeiramente.

Tentei dizer-lhe que era absurdo tal pensamento, que de um filho para a sua mãe também existe sentimento sem dimensão, sem fronteiras, de vida e de morte, e que para esse misto de emoções não haveria outra palavra senão o amor.

Ele tornou a dizer-me que nós, humanos, apenas amamos a nós mesmos e aqueles em que conseguimos projetar uma sombra de nosso próprio ser. Amamos a eles como amamos a um reflexo no espelho, por pura vaidade. Seríamos todos condenandos, então, ao mármore do inferno, ao purgatório, ou ao castigo eterno. Vaidade não é um pecado capital? Não haveria outro preço a se pagar por tal delito.

Tentei de todas as formas persuadi-lo, convencê-lo de que o que me dizia era tolice. Mas masntinha-se firme em usa opinião e dizia que quando chegasse a hroa, eu seria capaz de compreender duas idéias. Penso que a hora chegou. Não sou mais a menina a quem ele contava histórias e fazia desacreditar o amor, não sou mais tão ingênua a ponto de me deixar levar ou sair correndo chroando porque ele contou que papai noel não existe. Já sou crescida, é o que lhe digo, agora entendo o que queria me dizer.

Aquilo que chamamos amor por alguém, pode até mesmo ser amor. Um amor menor. Como se pudéssemos enquadrar esse sentimento em uma hierarquia, em uma escada onde os degraus representam níveis de amor. E isso só acontece porque não temos outra palavra para descrever o que se sente. Só o é. E ninguém é capaz de compreender. São nossas projeções passadas, presentes e futuras. Nossos erros, nos outros espelhados, e que nos revoltam por serem erros.

Nada mais tenho a dizer. Minha conclusão, é a mesma que a dos meus antepassados, a mesma que a do tal filósofo, a mesma a que chegaraão as gerações futuras: o amor não existe.


Ps.: O filósofo existe, e a tese é real. Todo o resto é meramente ilustrativo.

1 comentários:

Julinha disse...

Eu sou muito ingênua, e ainda acredito!

A poesia merece um dia só pra ela, convenhamos!

:*